Em 2 de junho de 2010 a Casa Branca concedeu o maior prêmio dado pelo governo dos Estados Unidos a um músico, chamado de "Prêmio Gershwin" e de fato concedido pela Biblioteca do Congresso, a Sir Paul McCartney.
A premiação se deu na Ala Leste da Casa Branca, num show que contou com Stevie Wonder (outro ganhador do prêmio, no ano anterior), Jack White, Dave Grohl, Herbie Hancock e até os Jonas Brothers (???).
Lá estava também Elvis Costello, que performou ao vivo, acompanhado da banda de Paul (sem ele, claro), "Penny Lane", uma das músicas mais lindas de Macca e dos Beatles.
Lindas também foram as palavras de Costello, contando que sua mãe morou há cerca de meia milha de distância da hoje tão famosa rua de Liverpool - rua que eu conheci, numa alegria (e num frio) sem tamanho - e que por isso a música mexeu tanto com sua família.
Certa vez postei no cada vez mais esquecido blog meu (edtoday.wordpress.com) que na série "Friends" dois dos três casamentos que houveram (tirando o da Rachel com o Ross em Las Vegas) tiveram Paul McCartney como pano de fundo:
- Mônica e Chandler: "My Love", música do Paul, em sua carreira solo, homenageando a Linda;
- Phoebe e Mike: "Here, There and Everywhere", do Revolver, um dos melhores álbuns dos Beatles.
Foi só eu postar isso que meu irmão mais velho anunciou que iria tocar a última em seu casamento (como tocou), e hoje uma leitora anônima comentou que também entrou ao som de "Here, There and Everywhere".
Sim, isso me deixou com a música em #repeatmode na cabeça...
E eu tô aqui pra quê? Pra lembrar que os Beatles lançaram uma música com número no título, "One After 909".
Escrita lá pros idos de 1957, é uma das primeiras composições de Lennon e McCartney. Só que acabou sendo gravada só em 1969, para o Let It Be.
Não é uma música brilhante, mas é divertida, mostra o potencial que a dupla de compositores tinha e, o melhor de tudo, faz parte do último show ao vivo dos Beatles, no teto da Apple Studios em Londres.
Aí eu lanço o desafio: seria Yoko Ono o ser que está sentado numa cadeira no fundo do vídeo?
Após saber da separação de John e Cynthia Lennon, Paul McCartney pegou seu carro e foi encontrar a que acabara de se tornar uma mãe solteira.
No caminho, foi pensando no filho do casal, Julian, que certamente sofreria muito com a separação dos pais.
Esse pensamento foi se tornando uma música, passando de "Hey Jules" para "Hey Jude" (pra não ficar tão na cara e, assim, não chatear John Lennon). Música essa meio que de auto-ajuda, ao dizer que há de se sacudir a poeira, não se deixar abalar pelas coisas ruins que ocorrem em nossas vidas e não "carregar o mundo em suas costas".
Lennon adorou a música, a considerava sua preferida de McCartney e, como de praxe, achava que ela tinha sido escrita para ele, John. Ao dizer "you're looking for someone to perform with", Lennon a entendeu como uma mensagem de Paul "liberando-o" dos Beatles diretamente aos braços de Yoko Ono.
"Essa música é sobre mim?", perguntou Lennon a McCartney.
"Não, é sobre mim", respondeu Macca.
"Então estamos passando pelas mesmas coisas", concluiu John.
Das músicas mais famosas da história dos Beatles, há como melhorá-la?
Se juntar Elton John, Sting e um monte de outros caras famosos (inclusive Phil Collins, o amigo do Nice) num show ao vivo, quem sabe...
O Ed escreveu esse post pra lembrar o aniversário do monstro Paul McCartney. Pediu pra eu editar, mas não consigo... ------------------------------------------------
É impossível escrever pouco sobre Paul McCartney...
O homem que faz 69 (ui) anos amanhã é, só, o músico vivo mais importante do mundo. Após entrar na banda de John Lennon (na época chamada de “The Quarrymen”), formou, com ele, a maior parceria musical da história. Parceria que durou até 1970, com o fim dos Beatles.
Pra mim, Macca sempre foi, além de extraordinário músico, muito ambicioso. Tanto que, após a morte de Brian Epstein (empresário que levou os Beatles ao estrelato), foi ele quem “assumiu” o controle da banda – ajudado, também, pela ausência de Lennon, mais preocupado em se drogar do que em outras coisas...
A partir da gravação do White Album o grupo começou a rachar, as brigas e as diferenças se intensificaram e todos, em algum momento, ameaçaram ou de fato saíram dos Beatles, EXCETO McCartney. O fim definitivo foi decidido por Lennon, mas todos concordaram em adiar o anúncio do término, e o conseqüente lançamento dos álbuns solos de cada um (que já estavam praticamente prontos), para depois do lançamento de Let it Be, evitando assim que suas vendas fossem prejudicadas.
Até Macca, o que NÃO queria que a banda acabasse, enviar a jornalistas, junto com a cópia do seu primeiro álbum solo (chamado McCartney), um Q&A na qual ele anunciava o fim dos Beatles.
Não adiantou a banda ter enviado o Ringo à sua casa para convencê-lo a não lançar seu álbum junto com Let it Be. Ele fez do seu jeito, um pouco por raiva, um pouco por vingança, e, pra mim, muito por ambição.
McCartney, o disco, foi feito com Paul tocando todos os instrumentos, e conta só com a pequena ajuda da Linda num ou outro backing vocal. Mas se sua contribuição musical foi pequena, seu apoio moral ao marido num dos piores momentos pessoais vividos pelo gênio foi fundamental. Tanto que a música que fecha o disco, Maybe I’m Amazed, foi dedicada a ela.
Reparem na letra: é o agradecimento explícito de Paul à Linda. Ao contrário da maioria de suas músicas, nesta a letra é mais importante do que a melodia, o que traz um apelo extra. E como diz o Toxinha, Maybe I’m Amazed representa bem a ponte entre o jovem ex-Beatle e o músico adulto.